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Entenda como seu ciclo menstrual pode ser afetado pela pandemia

O ginecologista César Patez explica que o aumento do nível de estresse é uma das possíveis causas

entenda como o seu ciclo menstrual pode ser afetado pela pandemia
Entenda como o seu ciclo menstrual pode ser afetado pela pandemia (Freepik)

A pandemia do coronavírus impacta a nossa saúde de maneiras diversas. Pouca gente sabe, mas o estresse acumulado durante a quarentena também pode afetar a menstruação da mulher de maneira intensa. Por isso, entenda como seu ciclo menstrual pode ser afetado pela pandemia.

O ginecologista e obstetra César Patez explica que esse fenômeno tem uma forte ligação com fatores emocionais. “Níveis altos de estresse e ansiedade geram um pico de cortisol e adrenalina na região do cérebro responsável pela produção de hormônios. Isso pode alterar os níveis de progesterona, que equilibra o ciclo menstrual”, afirma.

“A pandemia trouxe mudanças radicais na rotina de milhões de pessoas. Ela transformou métodos de trabalho, trouxe a prática do home office, ocasionou também a solidão de muita gente. Todas essas transformações influenciam também a nossa saúde física, sendo capazes de alterar a frequência da menstruação ou mesmo atrasá-la.”

Mudanças nas fases do ciclo menstrual

O especialista destaca que certas fases do ciclo menstrual sofrem mais mudanças com o impacto da pandemia, como a fase lútea e a própria fase da menstruação. A fase lútea é a última etapa do ciclo, logo antes da menstruação, e tem como função manter a gravidez. Ela começa quando o corpo passa para a etapa de produzir progesterona e estrogênio. O pico desta produção normalmente ocorre no 14º dia e essa transformação
é conhecida como Tensão Pré-Menstrual (TPM).

“As oscilações no estrogênio podem influenciar algumas células de defesa. Aliás, essa mesma alteração hormonal leva à piora dos sintomas de doenças e condições e tem potencial de intensificar os sintomas da covid-19”, acrescenta César.

Ele ressalta que é possível ocorrer irregularidade na menstruação mesmo nas mulheres que não contraíram o vírus. “Não é preciso ter tido uma infecção pelo vírus para notar alterações no ciclo menstrual. Isso porque viver durante uma pandemia já é uma experiência estressante e pesada o suficiente. Sabemos que isso pode afetar negativamente os padrões de menstruação e alterar a duração dos ciclos. Além disso, acaba provocando uma TPM mais acentuada e menstruações mais dolorosas”, destaca.

Mudanças na saúde

Além da alteração no ciclo menstrual causado afetado pela pandemia, as mulheres também puderam perceber outras mudanças na saúde, segundo o obstetra e ginecologista. “Está se tornando comum os índices de ansiedade mais elevados, casos de depressão, relatos de insônia, aumento de peso pela compulsão alimentar, atraso no diagnóstico de doenças – uma vez que as consultas de rotina foram postergadas”, comenta.

Mesmo que a realidade estressante da pandemia possa provocar alterações na menstruação, essa irregularidade nem sempre é causada por estresse. Em alguns casos, é preciso investigar as origens dessa transformação.

“Devemos sempre analisar doenças que podem alterar o padrão menstrual, como inflamações e variações hormonais. Se houver atraso ou redução do fluxo sanguíneo, pode ser síndrome dos ovários policísticos, hipotireoidismo ou alterações na glândula supra renal. Já no caso de sangramentos em excesso, a causa pode ser hipertireoidismo, miomas, pólipos, feridas no colo uterino ou câncer relacionado ao sistema reprodutor feminino. Até mesmo estresse e obesidade podem afetar o ciclo menstrual”, alerta.

Ele aconselha ajuda profissional caso os sintomas persistam por mais de três meses. “Caso a mulher apresente um ciclo menstrual alterado por mais de 90 dias, como ciclos muito curtos, muito longos ou sangramento excessivo, procure um ginecologista o mais rápido possível. Investigar os motivos dessa variação é fundamental para iniciar um tratamento desde o início da doença. Assim, sua saúde e fertilidade ficarão seguras”, completa.