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McFly reforça questões sobre saúde mental no “Young Dumb Thrills” e traz referências fortes de álbuns anteriores

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Com lançamento previsto para 13 de novembro, as 12 músicas inéditas da banda mostram uma versão mais madura dos integrantes em todos os aspectos

Após uma década desde o lançamento do disco “Above The Noise” (2010), McFly está de volta com o tão esperado “Young Dumb Thrills”, álbum de músicas inéditas que será lançado nesta sexta-feira, 13, e que marca o sexto de estúdio da banda inglesa.

Tom Fletcher, Danny Jones, Harry Judd e Dougie Poynter passaram por poucas e boas até chegarem neste lançamento. Depois de um hiato indefinido, que começou lá em 2016, os integrantes focaram em outros projetos, tanto pessoais quanto profissionais, e deixaram muitos fãs desolados e até desesperançosos. Mas tudo isso mudou no final de 2019, quando, por meio de posts enigmáticos na conta oficial do grupo no Instagram, o McFly começou a anunciar seu retorno.

De lá para cá, a banda já lotou um show em Londres em 15 minutos de bilheteria aberta, pirou os fãs brasileiros com a notícia de que viria para uma turnê (que precisou ser adiada duas vezes por conta do coronavírus), lançou algumas ‘canções perdidas’, que ficaram conhecidas como as ‘The Lost Songs’, gravadas em 2011 para o que seria, originalmente o sexto álbum, e em janeiro de 2020 todos entraram em um estúdio para gravar, finalmente, as músicas inéditas, escritas entre o fim de 2019 e começo deste ano, que compuseram o mais novo álbum, Young Dumb Thrills.

Em entrevista exclusiva para a Exitoína, o baterista Harry Judd contou: “Foi tudo muito incrível! A boa parte desta experiência toda, foi que nós reservamos o estúdio em janeiro/ fevereiro e todos estavam muito animados e dispostos. Nunca é fácil gravar um novo álbum, mas foi mais fácil do que poderia ser. Ficamos dois meses em um estúdio e fizemos um álbum completo!”.

YOUNG DUMB THRILLS

Desde quando anunciaram a chegada do novo disco, os integrantes do McFly prometeram que os fãs podiam esperar um mix de referências de um dos álbuns mais amados da banda, o “Motion In The Ocean” (2006), que tem uma pegada pop que marcou a carreira deles, com um pouco da maturidade que demonstraram nas The Lost Songs e que adquiriram nos últimos anos.

“Não que seja parecido com as músicas ou a maneira de cantar, mas sim num momento nosso de experimentar mais, sem tanta pressão. O Motion In The Ocean tinha esse ambiente na época, de testar coisas, referências musicais e ficar de boa com isso. Esse novo disco traz uma mistura do rock, do pop”, pontuou Dougie Poynter.

E, ouvindo o álbum completo que a BMG disponibilizou antes do lançamento oficial para a Atrevida, realmente percebemos que os integrantes não tiveram medo de arriscar coisas novas.

A coletânea começa com “Happiness”, que, coincidentemente ou não, foi a primeira faixa disponibilizada nas plataformas digitais para anunciar a chegada do novo projeto. A música, que contém referências fortíssimas do samba brasileiro, retrata exatamente o que ela promete: alegria. A percussão em evidência foi uma novidade que agradou alguns fãs e desagradou outros, que esperavam algo mais pop rock, como já estavam acostumados.

Em seguida, “Another Song About Love” faz surgir um sorriso no rosto de quem a escuta. Como ‘mais uma música sobre amor’ da banda, esta começa de uma forma suave, com a voz de Thomas Fletcher e uma pegada divertida, e cresce após o segundo refrão com guitarra mais forte, lembrando até um pouco a pegada do “Radio:Active” (2008). 

“You’re Not Special”, logo na sequência, traz uma reflexão importante sobre saúde mental, aceitação e reconhecimento de quem você é. “Todo mundo tenta, todo mundo chora, todo mundo morre, assim como você”, diz o refrão. A mensagem que ela passa é justamente essa de que ninguém precisa se sentir mal, achando que os problemas são exclusivamente seus. Todo mundo enfrenta momentos difíceis e não devemos deixar que situações externas — nem avaliações feitas sobre nós por outras pessoas — determinem quem somos ou seremos. “Head Up” chega com uma proposta bem semelhante, porém com um bônus: Dougie Poynter nos vocais. Fãs do baixista, esse momento é de vocês!

“Tonight Is The Night” quase que dispensa comentários! Das três faixas disponibilizadas pela banda antes do lançamento oficial do álbum, esta foi a que teve a maior aceitação dos fãs. Com uma letra de fazer lágrimas brotarem nos olhos automaticamente, a canção veio acompanhada de um clipe repleto de referências de outras bandas — como a inspiração em uma das cenas marcantes do vídeo clipe de “Bohemian Rhapsody”, do Queen — e até mesmo com referências do próprio McFly. Foi o primeiro clipe, de fato, gravado com todos os integrantes da banda juntos desde Love Is On The Radio (2013).

Em sexta posição, a música que leva o nome do álbum, “Young Dumb Thrills”, promete ser uma daquelas que farão os fãs pirarem nos shows. O feat. com o inglês Rat Boy, tem uma introdução característica e, do disco todo, parece ser a faixa mais ‘atual’, em termo de referências, com uma pegada forte do pop punk rap. Tanto que, em outubro deste ano, o rapper Machine Gun Kelly chegou no topo Billboard com um trabalho relativamente semelhante — um pouco mais forte, talvez.

“Growing Up”, o feat. com Mark Hoppus, gera até uma confusão mental: é McFly ou é Blink-182? Não poderia ser diferente, né? É fácil ouvir a faixa e se sentir em plenos anos 90 ou 2000, com a bateria, a guitarra e o baixo bem fortes e marcados, mas com um bônus ‘eletrônico’ bem atual. E essa faixa vem com um ‘plus’, porque foi gravada com ninguém mais, ninguém menos que o ídolo de Dougie Poynter. O baixista sempre trouxe muita referência do Blink-182 para o McFly e a música deixou claro que a união ‘casou’ muito bem — principalmente para os fãs desse estilo mais Pop Rock.

Já próximo do fim do disco, que contém 12 faixas inéditas, “Mad About You” vem para matar a saudade do ukulele, com uma letra arrepiante e algumas referências eletrônicas, lembrando até “Hyperion”, das The Lost Songs em algumas partes. Sabe aquela música para ouvir enquanto pedala na orla de uma praia, durante o pôr do sol? É essa. 

E falando nas músicas que ficaram ‘perdidas’, “Wild and Young” também está na lista de faixas que lembram um pouco as demos disponibilizadas há pouco tempo. E é engraçado que, mesmo assim, ainda tem fortes referências dos anos 80 e 90, com uma bateria bem característica dos anos 2000.

Fãs de “Not Alone”, “Walk In the Sun” e “Do Not Worry”, a nona faixa do álbum, “Sink or Sing”, pode pegar forte no coração de vocês. Com Danny Jones nos vocais, e uma batida um pouco mais forte do que as outras referências que citamos, a faixa traz uma letra reflexiva e promete fazer todo mundo cantar junto com o vocalista durante os shows. Preparem os lencinhos!

E já que nossa palavra principal nesse texto foi REFERÊNCIAS, por que não citá-la novamente? Quem acompanhou Danny Jones nas redes sociais durante os últimos meses viu que ele cantou muitas versões acústicas das músicas do John Mayer. E desconfiamos que “Like I Can” tenha tido grande inspiração nos sucessos do cantor norte-americano — principalmente do álbum “Born and Raised”.

E chegamos na última música: “Not The End” [Não é o fim, em português]. Não é preciso nem ouvi-la para supor uma mensagem subliminar por trás desse nome e da posição em que foi colocada no disco. Depois de tantos anos dos fãs achando que o McFly tinha acabado, eles voltaram, mexeram com a cabeça de todo mundo e, quase fazem uma promessa, terminando o álbum com essa faixa, de que esse NÃO É O FIM. 

A canção parece aquelas escolhidas para terminar um musical da broadway. Animada e emocionante ao mesmo tempo, elas nos faz realmente [querer] crer de que esse é apenas o início de uma nova “era” da banda.