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ANÁLISE: Grammy 2022 acolhe a era TikTok com Olivia Rodrigo e “Bridgerton”, mas esnoba os favoritos do público

Detalhamos escolhas da Academia e discutimos os deslizes do prêmio mais almejado do mundo da música

Grammy 2022 acolhe a era TikTok com Olivia Rodrigo e "Bridgerton", mas esnoba os favoritos do público
Grammy 2022 acolhe a era TikTok com Olivia Rodrigo e "Bridgerton", mas esnoba os favoritos do público. (Getty Images)

Por Amanda Oestreich

A semana começou com a grande — e muito aguardada — lista de indicados ao Grammy 2022 e claro que, como todo ano, recebemos várias surpresas. Os artistas selecionados deste ano escancaram que estamos vivendo a era de dominação no TikTok e, felizmente ou não, não podemos fazer nada sobre. Então, bora analisar essas indicações?

Olivia Rodrigo: da Disney, para o TikTok, para o mundo

E, claro, se estamos falando da era Gen-Z, temos que coroar a rainha Olivia Rodrigo. Aliás, a indicação da cantora para a categoria de Artista Revelação definitivamente não deveria ser uma surpresa. Entretanto, muitos se impressionaram com a quantidade de outros prêmios que a Swiftie pode levar.

Estamos falando de sete categorias — sendo quatro delas as principais do evento. Nesse sentido, com o nível do hype da Olivia neste último ano, ela poderá repetir a cena de Billie Eilish no Grammy de 2019, quando varreu a premiação, levando cinco gramofones de ouro com o álbum “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?”. Será que a recém-estourada vai conseguir esse feito com o seu polêmico álbum?

Vale lembrar que, apesar do enorme hype, Olivia enfrentou acusações de plágio por parte de internautas e artistas, além da famosa briga entre ela e Sabrina Carpenter, que deu o que falar. Entretanto, essas pedras no caminho não foram o suficiente para cancelar a carreira da artista (e com certeza não a impedirão de levar os troféus para casa).

Filha de peixe, peixinho é: se temos Olivia, cadê a Taylor?

Os Swifties não estão contentes (talvez apenas a Olivia Rodrigo). Parece que o mundo está de ponta cabeça. Enquanto a cria de Taylor Swift está dando o que falar com seu destaque no Grammy, a loirinha está completamente ofuscada nessa edição.

Os fãs esperavam que “evermore” fizesse um grande sucesso, assim como “folklore”, mas parece que não foi dessa vez, já que Taylor só foi indicada para uma única categoria — a de Melhor Álbum do Ano.

Até poderíamos argumentar sobre a relevância dessa nova era da T-Swift, mas sabemos que a gata está tendo um ano de ouro, com seu sucesso no TikTok, suas regravações e todo o sucesso vindo com esse combo. Não tem o que reclamar, né, Taylor?

Bo Burnham: a trend que virou indicação ao Grammy e vale muito mais do que isso

Continuando com as influências do TikTok na premiação de 2022 do Grammy, precisamos aplaudir e celebrar as duas indicações de Bo Burnham. Talvez esse nome não te remeta a muita coisa, mas acredite, ele é a voz por trás de grande parte das trends da plataforma desde o lançamento de seu filme “Inside” e com certeza uma das minhas indicações favoritas da premiação.

A trend do Jeff Bezos? Dele. O checklist do “White Woman’s Instagram”? A música é dele também. Todas as canções vieram do especial de “comédia” que o cantor lançou em parceria com a Netflix no meio da pandemia. O filme então virou álbum e as músicas viraram trends no TikTok.

@clearconfused #jeffbezos #boburnham #inside #fyp #amazon ♬ Bezos I – Bo Burnham

Aliás, para quem não conhece Bo e a história deste filme, precisamos voltar para o pré-pandemia, durante uma turnê, em 2015. Ele atuava como comediante de stand-up nos Estados Unidos, antes de começar a brigar com a sua saúde mental. A coisa se deteriorou a ponto de Burnham ter ataques de pânico durante suas apresentações ao vivo. Então, para cuidar de si mesmo, ele decidiu dar um tempo em sua carreira e ficou fora dos holofotes por anos.

As coisas começaram a melhorar para ele em 2020 e, até como ele fala no filme, ele decidiu voltar aos palcos. No deal. Entra em cena uma pandemia que obriga ele a voltar para sua casa, para ficar sozinho e em isolamento (novamente).

Assim, ele decidiu gravar um filme — que seria 100% gravado, dirigido, roteirizado e composto por ele em casa sem a ajuda de uma equipe — ao longo de um ano. “Inside”, indicado como Melhor Filme Musical, além de ser engraçado, mostra a batalha interna de Bo Burnham com sua própria sanidade mental após o período de isolamento e se mostra muito mais emocionalmente complexo do que seus companheiros de categoria.

Musical de “Bridgerton”: uma brincadeira do TikTok que virou realidade

Como eu disse: tudo começa no TikTok. A ideia de um musical para “Bridgerton” surgiu lá no app logo depois do lançamento da série nos Estados Unidos. Foi então que a dupla de criadoras de conteúdo Abigail Barlow e Emily Bear decidiu dar um temperinho a mais: e se a fosse um musical?

Logo, elas escreveram duas músicas baseadas em cenas da série da Netflix, “Oceans Away” e “I Burn For You”, para o TikTok e BOOM o hit foi quase que instantâneo (36 milhões de curtidas na plataforma). Foi então que vieram POVs, covers e, enfim, um álbum completo.

@abigailbarlowww I’m pitchy but I’m having too much fun writing this ✨ #IsThisAvailable #fyp ♬ original sound – Abigail Barlow

Então, quando falamos do álbum indicado ao Grammy, não estamos falando da trilha sonora de “Bridgerton” da Netflix, mas sim da criação de duas jovens criadoras de conteúdo que vieram lá do TikTok.

Mas se a era é das redes sociais… Cadê o BTS?

Hora da polêmica: se estamos falando de hype, de números nas redes sociais, de milhões de fãs e movimentação no meio digital… Cadê a representação do K-pop nessa premiação? Honestamente, não existe uma resposta certa, mas temos especulações.

O Grammy é historicamente um prêmio americano, então, previsivelmente, assim como o Oscar, eles dão preferência para produções na língua inglesa. Nota-se que eles criaram uma premiação separada para celebrar as músicas que de línguas latinas (pode entrar, Grammy Latino). Então, por mais que seja triste, a ausência de grupos de K-pop na premiação é previsível.

Aliás, se formos observar bem, as duas indicações do BTS ao prêmio vieram de músicas 100% em inglês — “Dynamite” e “Butter”. E aí, Grammy, como é que faz?

Infelizmente, essa é uma problemática que não carrega só a Academia de Música, mas toda a indústria cultural, que acabou ficando centralizada apenas nos países falantes de inglês. Um regresso que aos poucos a gente vê se desfazendo, mesmo que lentamente.

FINNEAS nos olhos do Grammy: artista completo ou sombra da Billie Eilish?

Todos nós deveríamos ser fãs do FINNEAS (sim, Grammy, isso é um recado para você). Caso vocês não saibam, ele é a cabeça por trás de todos os hits da Billie Eilish — literalmente todos. Por isso, em 2019, ele estava junto com ela para receber os milhares de gramofones que a irmã mais nova conquistou.

Mas, calma, não só de Billie Eilish vive Finneas O’Connor. Ele também é cantor. Sua primeira música publicada em plataformas digitais foi em 2016, quando soltou “New Girl”. Depois disso, ele passou a lançar vários singles, uns mais famosos do que outros, como é o caso de “Break My Heart Again”, de 2018, que ultrapassou 157 milhões de streams no Spotify.

Os vários singles viraram EP em 2019 e depois de muito esperar, ganhamos dois álbuns do cantor: um em 2020, “Blood Harmony”, e outro em 2021, “Optimist”. O mais novo foi bem elogiado entre os artistas e compositores com os quais o cantor de 24 anos trabalhou, mas mesmo assim, parece que a Academia tem dificuldade em reconhecer seu talento em seu trabalho solo, apoiando todas as indicações principais nos projetos de Billie.

Afinal, chega a live do Grammy, a hora da verdade e…: só uma indicação individual. Ué?

Na verdade, em geral, ele concorre em cinco categorias — três por seu trabalho com Billie em “Happier Than Ever”, um por sua composição em “Justice”, álbum de Justin Bieber, e uma única por seu projeto solo. Aliás, mesmo depois de vários projetos que deram certo, sua única indicação individual foi para Artista Revelação.

E por fim: os famosos esquecidos do Grammy 2022

É fácil falar das muitas indicações de uns, das meias indicações de outros, mas e os não indicados? A nova era de artistas veio e impressionou muito a Academia, como tudo indica, mas será que vamos deixar para trás os artistas consolidados que vieram antes disso? Afinal, estamos cada vez mais vendo nomes inéditos nas listas de indicações e, consequentemente, ouvindo cada vez mais o famoso “nossa, fulaninho não foi indicado”.

Por isso, precisamos falar sobre Miley Cyrus, Lana Del Rey e Lorde. Nem “Plastic Hearts”, nem “Chemtrails Over The Country Club” e muito menos “Solar Power” foram indicados ao Grammy 2022.

A ausência de Miley Cyrus nas categorias até estranha, uma vez que, quando lançado em novembro de 2020, a mídia internacional aclamou a produção. Para muitos, essa era a chance de ouro da cantora de ganhar um troféu, já que foi indicada uma vez, por “Bangerz”, mas nunca ganhou um Grammy. Mas, a chance nunca veio… (e existem certas coisas que nós nunca vamos entender o motivo).

Lana Del Rey é outra cantora que teve mais uma chance de indicação, após ficar um tempo fora do mundo da música, mas que foi injustiçada pela Academia. Mas, calma, ainda existe chance de prêmio. Recentemente, ganhamos “Blue Banister”, que pode ser indicado para a edição de 2023. Então, antes de nos lamentar, vamos torcer!

E, para concluir, a notícia que ninguém acreditou: pela primeira vez, um álbum da Lorde não é indicado ao Grammy. Anteriormente, nas eras “Pure Heroine” e “Melodrama”, a cantora foi ouvida e prestigiada pela Academia, mas parece que dessa vez não foi o caso. Não sabemos quando vamos ganhar um novo álbum de Lorde e agora também nunca saberemos quando iremos ver ela no Grammy de novo. Que tristeza!