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RESENHA: “Britney Vs Spears” cumpre papel de informar o público mas falha na abordagem

Novo documentário da Netflix traz fontes essenciais para o entendimento da briga judicial, mas sofre com informações repetidas

"Britney Vs Spears" cumpre papel de informar mas falha na abordagem
"Britney Vs Spears" cumpre papel de informar mas falha na abordagem. (Getty Images)

Por Amanda Oestreich

Nesta quarta-feira, 28, a Netflix lançou seu mais novo documentário “Britney Vs Spears”, que detalha a complicada batalha judicial da cantora contra seu pai, Jamie Spears. O longa chega no meio da onda de projetos audiovisuais focados na tutela de Britney, que continua se desdobrando em tempo real desde 2008.

Em cerca de um ano e meio, “Britney Vs Spears” foi construído pela dupla Erin Lee Carr e Jenny Eliscu, que é jornalista. Um fato curioso é que as duas também trabalham como personagens dentro documentário, sendo que a própria Jenny tem um papel direto no meio da tutela de Britney Spears. Durante o início do processo, ela foi um peão em um esquema para tentar conseguir um advogado para a cantora.

Entretanto, enquanto o filme explica de forma clara e coesa alguns aspectos do processo judicial, outros momentos deixam a desejar. Afinal, o documentário cria uma espécie de introdução sobre o momento pré-tutela, mas peca focando demais na separação de Britney com Kevin Federline, em 2007. Nesse sentido, as cenas sobre seus relacionamento com a mídia no meio de tudo isso viram peças-chave para embaralhar as prioridades da produção da Netflix.

Então, em um momento estamos sendo alimentados por todas as entrelinhas do divórcio do casal e, de repente, nos deparamos com Britney já na tutela. É claro que o ano de 2007 é um período essencial para a história da cantora. Também é fato quando dizemos que a briga pela custódia dos filhos — ainda presente como ameaça dentro do “governo” de Jamie Spears — começou justamente no momento da separação, mas o foco foi excessivo.

Nesse aspecto, “Britney Vs Spears” não nos traz nada de novo. As informações apresentadas são as mesmas disponíveis na internet durante os desdobramentos públicos da tutela, mas esse ainda não é o problema. Afinal, esse caso pode ser considerado um dos julgamentos mais televisionados na história do mundo do entretenimento, por mexer diretamente com a namoradinha da América.

O grande incômodo do documentário é que temos grandes fontes, enormes até — desde ex-funcionários de Britney, que trabalharam com ela diretamente em suas maiores turnês, até um dos médicos que assinou um dos documentos mais importantes de toda a tutela — mas nenhum deles está disposto a colocar a mão no fogo. Então, a aparição deles acaba sendo quase que figurativa para mostrar que “olha, tentamos puxar essa informação, mas não conseguimos”, só que essa ausência de informação gasta uns bons minutos do filme e acaba jogando um potencial gigantesco de informações exclusivas no lixo.

De modo geral, “Britney Vs Spears” é uma baita fonte de informação para aqueles que ainda não conheciam muito do caso, mas pode parecer um pouco do mesmo para os fãs da cantora. Mas certamente esses dois públicos se unem no fim do documentário com um suspiro emocionado ao ouvir Britney Spears falar em alto em bom som: “Eu só quero minha vida de volta. Já se passaram 13 anos e é o suficiente”.