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Influenciadora aponta importância da representatividade para jovens negras: “Elas crescem sem uma referência”

Ísis Lyon fala sobre autoestima da mulher negra e como artistas como Beyoncé podem ser uma referência

influenciadora aponta importancia da representatividade para jovens negras
Influenciadora aponta importância da representatividade para jovens negras (Divulgação)

A falta de representatividade na mídia afeta a construção de identidade de jovens negras desde cedo. Na infância, período onde desenvolvemos traços de personalidade e descobrimos desejos e gostos por diversos aspectos da realidade, é extremamente raro para uma criança de pele escura se reconhecer em filmes, programas de TV, desenhos e brinquedos.

São detalhes que parecem bobos, mas que podem ser determinantes para a autoestima. “Por muito tempo, busquei aprovação das pessoas. Até que descobri que aceitação é uma coisa que tem que vir de dentro. Por nunca me sentir representada, resolvi virar representante. Atualmente, procuro inspirar outras mulheres a serem elas mesmas. Isso é uma forma de liberdade”, afirma a influencer e filantropa Ísis Lyon.

“Os padrões de beleza são totalmente nocivos para as crianças negras, pois elas crescem sem uma referência. Eu queria ser a Cinderela, queria ser a Branca de Neve quando era menor. Você não encontra representatividade em uma loja de brinquedos, com Barbies negras, super-heróis negros. As crianças já veem a boneca branca como linda e boazinha e a boneca negra como feia e má. Por quê? Elas nascem com ódio delas mesmas? Claro que não. A sociedade é quem cria este ódio. A gente cresce se sentindo a última na pirâmide de importância”, descreve.

Bullying e preconceito desde a infância

O bullying na escola, que trazia consigo piadas de cunho racista, também fizeram parte de sua vida. Para ela, foram marcas a serem superadas dia após dia. “Muito dificilmente você vai encontrar alguma pessoa preta que não tenha sido vítima. Apelidos eu acumulo milhões. Se você não tiver uma força extraordinária, não consegue passar por isso”, desabafa. Aos poucos, a musa foi conhecendo personalidades famosas que a fizeram se sentir bem em ser diferente. Cantoras como Whitney Houston e Beyoncé, e modelos como a Naomi Campbell foram muito influentes na sua adolescência.

“Você se sentir representado é você pertencer à sociedade”, aponta. “Nunca pareci com qualquer outra garota, então demorei um pouco para ficar bem com isso. Em ser diferente. Mas ser diferente é bom. Educar uma criança preta com essa base é lutar contra esses padrões. É por causa disso que o movimento ao qual pertenço é uma luta. Porque estamos lutando pelas nossas vidas”, destaca a influencer.

Para que essa situação mude, Ísis acredita que a sociedade como um todo precisa fazer a sua parte – especialmente as pessoas brancas, que, na sua visão, também devem pegar essa responsabilidade para si. “O branco de hoje não é responsável pelo que aconteceu no passado, mas todos nós temos o papel de criar esse equilíbrio. ⁠Alguns brancos só esperam a chance de serem parabenizados por não serem cruéis conosco. Como se devêssemos agradecer por eles terem tido a gentileza de nos tratarem como seres humanos”, defende. “A importância da representatividade é para avançar com a ideia de que fazemos parte e temos que ter nosso espaço proporcional ao número que representamos.” 

Mensagem para as jovens negras

Por fim, ela também deixa uma mensagem para todas as jovens negras que ainda não lidam bem com seus corpos e aparências. “Sei que nós, mulheres negras, sempre passamos por episódios devastadores. Mas o que a lagarta chama de fim do mundo, o sábio chama de borboleta. O que fazemos de melhor é criar oportunidades a partir das piores situações. Agora, eu vejo que minha voz faz a diferença, mas eu fiquei quieta por 35 anos. Cada pessoa tem uma história para contar, um episódio de superação. Valorize todo o seu caminho até aqui”, aconselha.