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Deu Branco! E agora?

O vestibulando se prepara durante o ano todo e quando chega o dia, a hora da prova ele “trava” e apaga grande parte do que estudou. Esse ocorrido é o famoso branco.

Mas o que é o branco?

Imagine que o cérebro seja uma grande orquestra, onde cada músico toque seu instrumento com excelência, porém juntos eles só conseguem fazer uma boa sinfonia sob a regência de um maestro. É o maestro que seleciona a peça a ser executada, que introduz os diferentes instrumentos no momento adequado, que mantém os músicos no tempo certo. Assim como em uma orquestra o maestro unifica o conjunto dos sons instrumentais, no cérebro as funções executivas são as “regentes” de todas as funções cognitivas e são responsáveis pela regulação do comportamento, da emoção e do pensamento.

As funções executivas são imprescindíveis para realizar uma prova com sucesso e eficácia, são responsáveis pelo foco, organização, tomada de decisões, resolução de problemas e processamento dos dados, além de regularem o autocontrole que é fundamental para se manter calmo e atento.

O momento da prova é muito tenso, o vestibulando está carregado de emoções e medos, ainda que na maioria das vezes esses medos sejam criados causam uma carga de ansiedade. A ansiedade em níveis muito elevados desencadeia uma série de eventos químicos no corpo que enfraquecem as funções executivas e dá espaço para áreas mais antigas do cérebro tomar o controle. Essas regiões que respondem pelos comportamentos instintivos, pelas emoções e pelos impulsos básicos reduzem ou até anulam a capacidade de raciocínio. É o famoso branco!

Os medos que estão causando a ansiedade não são reais, mas o vestibulando já não tem o controle dos pensamentos para chegar a essa conclusão. Então o que fazer?

A primeira coisa a fazer é se perguntar o que gera ou pode gerar essa ansiedade? Ela sempre provém de um medo, medo de decepcionar os pais, de perder uma oportunidade, de ter que ficar mais um ano estudando e passar por isso novamente. Inúmeros podem ser esses medos e totalmente diferentes de uma pessoa para outra.

É muito importante que o vestibulando conheça seus medos, pense sobre eles e analise se de fato algo muito ruim vai acontecer se ele não atingir o seu objetivo. Provavelmente ele vai chegar a conclusão que não e que está preparado para a prova, só esse ato de usar a metacognição pode aliviar muito a ansiedade. Colocar esses pensamentos no papel e responder de forma positiva cada questão que gera o medo é um ótimo exercício para aliviar o estresse e para manter as funções executivas no comando.

Conversar com os pais, professores e os adultos de confiança sobre as angustias também trará mais segurança e é a segurança, a autoconfiança, que fará com ele tenha calma e foco na hora de fazer a prova. Além de todas as questões que já sabemos, como a importância da atividade física, do sono reparador, da boa alimentação, da organização, da disciplina e do relaxamento.

A respiração consciente e profunda também é uma grande aliada para o combate ao “branco”. Nos momentos de tensão a respiração fica curta e rápida, a chamada respiração torácica, ela diminui a quantidade de oxigênio que entra no organismo e aumenta o nível de estresse. Voltar a atenção para corpo e perceber quando isso começa a acontecer faz toda a diferença no controle da ansiedade. Respirar profundamente de forma consciente e da maneira correta será o suficiente para que o comando do cérebro volte para as funções executivas e o equilíbrio se restabeleça. A respiração ideal é a diafragmática, aquela que movimenta o abdômen, ela leva uma grande quantidade de ar para o organismo e provoca o relaxamento.

Para que na hora da prova você saiba fazer a respiração diafragmática corretamente é importante começar a treinar, uma boa maneira de fazer isso é praticar a respiração de forma consciente todos os dias ao acordar e antes de se deitar. Assim, o vestibulando não só saberá usá-la quando perceber a ansiedade, como estará trabalhando todos os dias para diminuir o estresse.



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