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Como sobreviver ao fato de que deixamos amigos para trás

Eu: hoje vou dormir cedo / 3h da manhã: migx, tava pensando numas paranoias e... qual a diferença entre sacada e varanda?

Ainda me lembro do nome da minha primeira melhor amiga: Bruna. Nós fizemos a primeira série juntas e foi ela quem falou comigo pela primeira vez. A partir desse dia, comíamos juntas no intervalo e fazíamos planos de dormir uma na casa da outra (o que nunca aconteceu!). A Bruna morava na minha rua, o que podia fortalecer ainda mais a nossa amizade, embora o máximo que fazíamos era passar a tarde juntas de vez em quando. Ela tinha cinco tartarugas gigantes, e eu cinco gatos. A gente combinava muito, mas a primeira série acabou e a Bruna se mudou.

Na segunda série, minha amiga chamava Carol e, na terceira, eu tive a ideia de incluir a Gabi, a aluna nova, na nossa dupla – o que, para falar a verdade não foi a melhor ideia que já tive, afinal, a Carol e a Gabi criaram um laço bem forte e, no segundo bimestre, o trio que eu tinha formado virou uma dupla novamente (só que eu não participava dela). Inclusive, eu as sigo no Instagram e elas ainda são melhores amigas.

Minha família se mudou quando entrei na quarta série, fomos morar no Paraná. As amizades que criei lá foram incríveis, a minha escola ficava em frente ao condomínio em que eu morava e todas as crianças do condomínio estudavam comigo, de modo que passávamos o dia inteiro juntos. Minha melhor amiga chamava Ana, ela era maravilhosa e nós ainda rimos muito quando lembramos das coisas loucas que fazíamos pela One Direction sempre que conversamos pelo Facebook.

Eu voltei para São Paulo quando entrei para o oitavo ano e fiquei na mesma escola até me formar no Ensino Médio – foi o maior tempo que passei na mesma escola. Pensei que nunca mais faria uma amiga como a Ana, mas me enganei. Me enganei bem feio! Porque as amizades que criei durante aqueles últimos cinco anos na mesma escola foram algumas das melhores que tive até hoje.

No oitavo ano conheci a Bárbara e a Natália e fomos um trio inseparável por muito tempo. Nós gostávamos das mesmas bandas e tínhamos muitos crushes em comum, o nosso grupo no WhatsApp se chama É Nóis Que Brilha e todo dia uma de nós três rimos de um meme diferente. Eu as conheço há cinco anos, então temos muitas histórias – tristes e engraçadas –, muitos segredos e bons momentos. Já brigamos algumas vezes, assim como qualquer grupo de amigas, mas ainda estamos aqui – A Natália é a estressada (hoje ela faz biomedicina e ama amebas), a Bárbara é a pacificadora do grupo e quem faz com que ele prevaleça (ela cursa Engenharia porque é de exatas e sabe fazer regra de três) e eu sou a dramática que faz Jornalismo porque sou a única de humanas que consegue escrever um texto sem reclamar.

Eu também tenho a Suzanne, que conheci no oitavo ano e levei para a vida. Ela ainda dorme na minha casa, nós saímos para almoçar e sempre damos um jeito de nos ver (às vezes eu vou no dentista com a minha mãe só para conversar com a Suzy, ela trabalha lá!). É engraçado como, apesar de não estarmos mais juntas cotidianamente desde que as aulas terminaram, a nossa amizade ainda é a mesma. Somos as mesmas meninas que conversavam sobre o Dylan o’Brien e faziam teorias conspiratórias sobre as Kardashians e séries que mais ninguém assiste.

Os meninos do meu Ensino Médio me conheceram na época em que eu usava aparelho nos dentes e nós crescemos juntos. Damos risadas quando vemos fotos uns dos outros e percebemos que, enfim, crescemos. Também temos um grupo no WhatsApp, mas não posso escrever sobre ele. O Vinicius, um deles, foi o menino que mais me irritou naqueles cinco anos e parece que o karma chega para todos, não é? Ele estuda na minha faculdade e sempre nos vemos pelos corredores, hoje em dia eu o adoro, mas no nono ano...  

Alguns dias antes do início do primeiro semestre na faculdade, eu estava apavorada – não pela matéria, mas porque tive medo de não encontrar uma amiga. Mas eu me surpreendi. Eu conheci a Stefany, que é um ano mais velha do que eu, é apaixonada pela Loki e tem uma mania estranha de passar a unha em comprovantes de compra. Ela aparece em todos os meus Stories e é minha melhor amiga. A gente sabe o segredo mais sombrio uma da outra, combina as roupas sem combinar e somos completamente diferentes, mas também somos completamente iguais! Quando eu viajo, ela sente a minha falta e se recusa a ir para a aula sem a minha companhia. Nós temos opiniões muito distintas e temos essa coisa louca de acordar de madrugada e não conseguir mais dormir, e aí conversamos. Muito! E também maratonamos séries, saímos... Ela faz parte da minha família de uma maneira tão forte que, às vezes, meu irmão conta coisas para ela que nem eu sei. Como ela diz: “um presentinho que a faculdade nos deu”. Essa frase também pode se equivaler para os nossos nerds, que é como chamamos o nosso grupo de trabalhos semestrais. O Guilherme, o Victor, o Lucas e a Flávia, não sei quem vence num grau de esquisitice, mas cada um faz parte das nossas vidas. Os professores já sabem que têm que permitir que o nosso grupo seja o único com seis integrantes enquanto todos os outros só tem cinco.

No entanto, o que eu estou querendo dizer quando exponho toda a minha história fraternal é que os amigos alegram a nossa vida, porém, eles não fazem parte dela toda. É como se cada um deles fosse feito para estar nas nossas vidas em determinado período. A Bruna esteve comigo na primeira série, a Ana me ajudou nas crises do sexto ano, a Natália e a Bárbara animaram todas as minhas manhãs no Ensino Médio, a Suzy ainda me ajuda nas coisas que não sei resolver e a Stefany tenta entender as teorias de astrofísicas pelas quais eu sou apaixonada para poder conversar comigo sobre.

Cada um dos nossos amigos marca a nossa vida, de maneiras diferentes, e um pedaço do nosso córtex sempre será ocupado por lembranças que eles nos proporcionaram. Por isso, apesar de ser triste dar adeus quando um ano se acaba, ainda assim não é algo para sempre, afinal, amizades verdadeiras são duradouras apesar do tempo e espaço. Não é porque não vemos mais os nossos amigos da escola que eles sumiram. Pelo contrário, eles estão lá, assim como nós, e uma mensagem de “que saudade, vamos nos ver!” não mata, mesmo que esse encontro não venha a acontecer. Então, se você está saindo da escola e tem medo de perder seus amigos, não tenha! Perdemos algumas coisas para podermos ganhar outras e, se você for persistente, amizades duram por uma vida toda.



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